Making friends as an adult: why it can be hard and what may help
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Pierre-Auguste Renoir, Luncheon of the Boating Party (1880–1881). The Phillips Collection, Washington, DC / Wikimedia Commons, public domain.
Há pessoas com quem conversamos no trabalho, outras que encontramos no ginásio, outras ainda com quem trocamos mensagens. Mas, quando apetece combinar alguma coisa ou precisamos de falar sobre um dia difícil, nem sempre sabemos a quem recorrer. Podemos conhecer muita gente e sentir falta de amigos.
Na escola, parte da convivência acontecia sem ser preciso organizá-la. Encontrávamos as mesmas pessoas quase todos os dias, entre aulas, intervalos e trabalhos de grupo. Na idade adulta, estar juntos tende a exigir mais combinações. Entre o trabalho, os cuidados com a família e o cansaço, uma conversa agradável pode ficar por ali.
Não significa que tenhamos perdido a capacidade de fazer amigos. Muitas vezes, mudaram sobretudo as condições em que uma amizade pode começar e crescer.
Porque parece mais difícil fazer amigos em adulto?
As nossas relações mudam ao longo da vida. Uma revisão de 277 estudos encontrou, em média, uma redução das redes de amizade ao longo da idade adulta e alterações associadas a acontecimentos como começar a trabalhar ou tornar-se pai ou mãe. Ter uma rede mais pequena não significa, porém, ter perdido a capacidade de fazer novos amigos, nem todas as pessoas seguem o mesmo percurso.[1]
Mudar de cidade pode afastar-nos das pessoas com quem a convivência era fácil. Um novo emprego traz contactos, mas nem sempre tempo para conhecer melhor os colegas. Ter filhos pode aproximar-nos de outros pais e, ao mesmo tempo, reduzir a disponibilidade para os amigos de antes. Algumas relações mantêm-se; outras afastam-se ou começam a ganhar lugar na nossa vida.
Em Portugal, um relatório do Iscte, publicado em 2025 com dados recolhidos em 2024, indica que 40% dos mil participantes disseram ter feito um novo amigo no último ano. O inquérito foi realizado online, com pessoas dos 18 aos 64 anos, procurando refletir as características da população dessa faixa etária com acesso à internet. O relatório não foi revisto por pares e os resultados não abrangem todas as idades e situações. Ainda assim, mostram que há novas amizades a nascer na vida adulta.[2]
Nem tudo depende da vontade. O dinheiro, os transportes, os horários e as responsabilidades de cuidado condicionam a possibilidade de estar com outros. Num estudo com trabalhadores do comércio nos Estados Unidos, a imprevisibilidade dos horários estava associada a menos relações no trabalho. Recomendar simplesmente «saia mais» deixa de fora uma parte importante do problema.[3]
Conhecer pessoas não é o mesmo que construir uma amizade
Uma atividade pode facilitar o primeiro contacto. Não garante que alguém se torne nosso amigo. É possível frequentar um curso durante meses, conversar cordialmente e continuar sem sentir proximidade com ninguém.
A investigação de Jeffrey Hall, com adultos que tinham mudado de residência e estudantes no início da universidade, associou o tempo passado em conjunto, sobretudo em atividades de lazer, a uma maior proximidade nas amizades. As estimativas de horas obtidas nesses estudos não são um prazo a cumprir. Passar tempo com alguém pode favorecer uma amizade, mas também procuramos estar mais com quem já nos sentimos próximos.[4]
Os encontros ganham continuidade quando retomamos uma conversa, nos lembramos de algo que a outra pessoa contou ou propomos voltar a estar juntos. Aos poucos, pode surgir espaço para falar de outras coisas além daquilo que nos juntou.
Isso não obriga a fazer confidências nem a levar todas as relações para fora do seu contexto. Um amigo do trabalho pode continuar a ser sobretudo um amigo do trabalho. Há amizades feitas de conversas leves, de uma atividade partilhada ou do prazer de estar juntos. Não precisam de se tornar íntimas para terem valor.
A incerteza dos primeiros encontros
Quando conhecemos alguém de quem gostamos, nem sempre sabemos se o interesse é correspondido. Podemos recear parecer insistentes, interpretar uma pausa como desinteresse ou sair de uma conversa a rever aquilo que dissemos.
Numa série de estudos com pessoas que se estavam a conhecer, os participantes tenderam, em média, a subestimar quanto os seus interlocutores tinham gostado deles e da sua companhia. Não é uma garantia de que o outro queira uma amizade. Mas sugere que podemos sair de uma conversa com uma impressão mais negativa do que aquela que ele teve.[5]
Um convite simples permite descobrir mais do que continuar a adivinhar: «Gostei da conversa. Combinamos um café um destes dias?» Não é preciso saber já o que a relação poderá vir a ser para propor outro encontro.
Pode não haver disponibilidade ou vontade. Nem todas as afinidades se desenvolvem, e uma recusa não é uma avaliação do nosso valor nem do que outras relações poderão vir a ser.
O que pode ajudar, na prática?
Escolher contextos a que seja possível regressar. Uma atividade regular, um grupo local ou um espaço que já faça parte da rotina pode facilitar novos encontros com as mesmas pessoas. O melhor contexto não é necessariamente o mais interessante no papel, mas aquele em que é realmente possível participar.
Dar seguimento a uma conversa. Nem sempre é preciso conhecer mais pessoas. Por vezes, vale a pena retomar o contacto com alguém com quem já houve alguma afinidade: perguntar como correu algo de que falaram ou enviar uma mensagem sobre um interesse comum.
Fazer propostas simples e concretas. Um café depois de uma atividade, uma caminhada curta ou um almoço próximo do trabalho podem ser mais fáceis de combinar do que um plano exigente. «Um dia temos de combinar» pode ficar por uma intenção; sugerir uma ocasião dá-lhe uma oportunidade de acontecer.
Encontrar formas de convivência compatíveis com a vida atual. Nem toda a gente pode reservar uma noite por semana ou pagar uma nova atividade. Estar juntos pode caber numa pausa, num passeio habitual ou numa conversa à distância. A opção possível não tem de ser uma versão inferior de uma vida social ideal.
São sugestões informadas pela investigação, não um programa testado para fazer amigos. Ajudam a procurar oportunidades, mas uma relação envolve também as preferências e as circunstâncias de outra pessoa.
E quando sou sempre eu a tomar a iniciativa?
Ser quem propõe mais encontros não significa necessariamente gostar mais da relação. Há pessoas que organizam com facilidade e outras que participam com interesse, mas raramente tomam a iniciativa. Ainda assim, sentir que todo o esforço fica do mesmo lado pode ser cansativo.
A satisfação com uma amizade também se relaciona com aquilo que cada pessoa espera dela. Um estudo com registos diários de interações encontrou associações entre as expectativas, o seu cumprimento e a satisfação. Outro, com 212 pares de amigos jovens adultos, associou as diferenças entre o apoio desejado e recebido à qualidade da relação, de formas que variavam consoante o tipo de apoio. São estudos sobre amizades existentes, não uma medida de quem se interessa mais. Também não demonstram que a solução seja esperar menos dos amigos.[6][7]
Pode ser mais útil olhar para o conjunto do que contar mensagens: quando estão juntos, existe atenção? A pessoa mostra interesse? Quando não pode aceitar um convite, procura outra oportunidade? Há espaço para as necessidades de ambos?
Numa amizade já estabelecida, dizer «tenho sentido falta de estarmos juntos» pode esclarecer mais do que esperar que o outro adivinhe. Compreender a falta de disponibilidade não obriga, porém, a conformar-se com uma relação em que se sente sistematicamente só. Também é legítimo investir noutros contactos, sem transformar cada afastamento numa acusação.
Não é preciso ter um grande grupo
Podemos sentir falta de companhia para fazer coisas, de alguém com quem falar com confiança ou de um grupo a que pertençamos. São necessidades diferentes. Perceber qual delas pesa mais ajuda a procurar algo mais concreto do que simplesmente «ter mais amigos».
Também não há um único ritmo certo. Algumas pessoas sentem-se bem com contactos espaçados; outras precisam de uma presença mais regular. Gostar de estar sozinho não impede querer companhia. E a solidão não se resume ao número de pessoas à nossa volta: no relatório português, havia mais participantes a referir solidão frequente do que ausência de amigos.[2]
Quando o medo da rejeição, a tristeza ou o isolamento tornam persistentemente difícil aproximar-se dos outros, o acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender o que está a acontecer e a encontrar formas de lidar com essas dificuldades. Não substitui a convivência, mas pode ajudar a torná-la mais acessível.
Fazer amigos em adulto pode exigir uma iniciativa que antes ficava a cargo das circunstâncias. Nem todos os convites serão aceites, nem todas as relações irão aprofundar-se. Não é preciso, contudo, encontrar de imediato um grande grupo ou uma amizade íntima. Por vezes, o começo é voltar a conversar com alguém com quem nos apetece estar.
Referências
Wrzus, C., Hänel, M., Wagner, J., & Neyer, F. J. (2013). Social network changes and life events across the life span: A meta-analysis. Psychological Bulletin, 139(1), 53–80. https://doi.org/10.1037/a0028601
Lima, M. L., Camilo, C., Rodrigues, D., & Romão, Â. (2025). A Amizade em Portugal: Como é? O que mudou? Relatório 2: Relatório final. CIS-Iscte. http://hdl.handle.net/10071/36940
Shepherd, H. (2024). Organizational practices and workplace relationships in precarious work: New survey evidence. Social Networks, 77, 79–92. https://doi.org/10.1016/j.socnet.2021.10.003
Hall, J. A. (2019). How many hours does it take to make a friend? Journal of Social and Personal Relationships, 36(4), 1278–1296. https://doi.org/10.1177/0265407518761225
Boothby, E. J., Cooney, G., Sandstrom, G. M., & Clark, M. S. (2018). The liking gap in conversations: Do people like us more than we think? Psychological Science, 29(11), 1742–1756. https://doi.org/10.1177/0956797618783714
Hall, J. A., Larson, K. A., & Watts, A. (2011). Satisfying friendship maintenance expectations: The role of friendship standards and biological sex. Human Communication Research, 37(4), 529–552. https://doi.org/10.1111/j.1468-2958.2011.01411.x
Youngvorst, L. J., & Ruppel, E. K. (2025). Social support among emerging adult friends: Dyadic and longitudinal associations between support gaps and relational quality. Journal of Social and Personal Relationships, 42(7), 1629–1656. https://doi.org/10.1177/02654075251330360
There are people we chat to at work, others we see at the gym, and others we exchange messages with. Yet when we feel like making plans or need to talk about a difficult day, we do not always know whom to turn to. We can know plenty of people and still miss having friends.
At school, spending time together often happened without having to arrange it. We saw the same people almost every day, in lessons, at break time and during group work. In adulthood, getting together tends to take more planning. Between work, caring for family and tiredness, a pleasant conversation may go no further.
This does not mean we have lost the ability to make friends. Often, what has changed most is the circumstances in which a friendship can begin and grow.
Why can making friends feel harder in adulthood?
Our relationships change throughout life. A review of 277 studies found that friendship networks became smaller, on average, across adulthood, with changes associated with events such as starting work or becoming a parent. A smaller network does not, however, mean losing the ability to make new friends, and not everyone follows the same path.[1]
Moving to a new city can take us away from people we used to see easily. A new job brings contacts, but not always time to get to know colleagues better. Having children can bring us closer to other parents while leaving less time for old friends. Some relationships last; others fade or begin to find a place in our lives.
In Portugal, an Iscte report published in 2025, using data collected in 2024, found that 40% of its 1,000 participants said they had made a new friend in the previous year. The online survey involved people aged 18 to 64 and aimed to reflect the characteristics of the internet-using population in that age range. The report was not peer-reviewed, and the findings do not cover every age or circumstance. Even so, they show that new friendships do begin in adult life.[2]
Not everything depends on motivation. Money, transport, working hours and caring responsibilities affect our opportunities to spend time with others. In a study of retail workers in the United States, unpredictable schedules were associated with fewer workplace relationships. Simply recommending that people "get out more" leaves out an important part of the problem.[3]
Meeting people is not the same as building a friendship
An activity can make a first conversation easier. It does not guarantee that someone will become a friend. We can attend a course for months, chat politely and still feel close to no one.
Jeffrey Hall's research, involving adults who had moved home and students starting university, linked time spent together, particularly in leisure activities, with greater closeness in friendships. The estimates of hours from these studies are not a deadline to meet. Spending time with someone may help a friendship develop, but we also seek out people we already feel closer to.[4]
Encounters gain continuity when we pick up a conversation, remember something the other person told us or suggest meeting again. Gradually, there may be room to talk about things beyond whatever first brought us together.
This does not require sharing confidences or taking every relationship beyond its original setting. A work friend may remain mainly a work friend. Some friendships consist of light conversation, a shared activity or the pleasure of being together. They do not have to become intimate to matter.
The uncertainty of first encounters
When we meet someone we like, we do not always know whether the feeling is mutual. We may worry about seeming pushy, read a pause as disinterest or leave a conversation replaying what we said.
Across a series of studies of people getting to know each other, participants tended, on average, to underestimate how much their conversation partners had liked them and enjoyed their company. This is no guarantee that the other person wants a friendship. But it suggests that we may leave a conversation with a more negative impression than they did.[5]
A simple invitation can tell us more than continuing to guess: "I enjoyed talking to you. Shall we get a coffee sometime?" We do not need to know what the relationship might become before suggesting another meeting.
The other person may not have the time or inclination. Not every connection develops, and a declined invitation is not a judgement of our worth or of what other relationships might become.
What may help in practice?
Choose settings you can return to. A regular activity, a local group or somewhere already part of your routine may make it easier to meet the same people again. The best setting is not necessarily the most interesting on paper, but one you can realistically attend.
Follow up on a conversation. Meeting more people is not always necessary. Sometimes it is worth getting back in touch with someone you already connected with: asking how something you discussed went, or sending a message about a shared interest.
Make simple, specific suggestions. Coffee after an activity, a short walk or lunch near work may be easier to arrange than an elaborate plan. "We must get together sometime" can remain an intention; suggesting an occasion gives it a chance to happen.
Find ways of spending time together that fit your life now. Not everyone can set aside an evening each week or pay for a new activity. Time together might fit into a break, a familiar walk or a conversation from a distance. What is possible need not be an inferior version of an ideal social life.
These are suggestions informed by research, not a tested programme for making friends. They can help us look for opportunities, but a relationship also involves another person's preferences and circumstances.
What if I am always the one making the effort?
Suggesting more meetings does not necessarily mean caring more about the friendship. Some people organise easily; others join in enthusiastically but rarely initiate plans. Still, feeling that all the effort falls on one side can be tiring.
Satisfaction with a friendship also relates to what each person expects from it. A study using daily records of interactions found associations between expectations, their fulfilment and satisfaction. Another, involving 212 pairs of young adult friends, linked gaps between desired and received support with relationship quality, in ways that differed by the type of support. These studies concern existing friendships, not a measure of who cares more. Nor do they show that the answer is to expect less of friends.[6][7]
Looking at the whole relationship may be more useful than counting messages: when you are together, is there attention? Does the person show interest? When they cannot accept an invitation, do they look for another opportunity? Is there room for both people's needs?
In an established friendship, saying "I've missed spending time together" may clarify more than waiting for the other person to guess. Understanding someone's lack of availability does not, however, mean having to accept a relationship in which you consistently feel alone. It is also legitimate to invest in other connections, without turning every instance of drifting apart into an accusation.
You do not need a large group
We may miss company for activities, someone to confide in or a group to belong to. These are different needs. Understanding which matters most can help us seek something more specific than simply "more friends".
There is no single right rhythm, either. Some people are comfortable with occasional contact; others need a more regular presence. Enjoying time alone does not rule out wanting company. And loneliness is not simply about how many people surround us: in the Portuguese report, more participants reported frequent loneliness than having no friends.[2]
When fear of rejection, sadness or isolation persistently makes it difficult to approach others, psychological support can help us understand what is happening and find ways to address those difficulties. It cannot replace time with others, but it may help make that time more accessible.
Making friends as an adult may require taking an initiative that circumstances once took care of. Not every invitation will be accepted; not every relationship will deepen. Yet there is no need to find a large group or a close friendship immediately. Sometimes, the beginning is another conversation with someone whose company we enjoy.
References
Wrzus, C., Hänel, M., Wagner, J., & Neyer, F. J. (2013). Social network changes and life events across the life span: A meta-analysis. Psychological Bulletin, 139(1), 53–80. https://doi.org/10.1037/a0028601
Lima, M. L., Camilo, C., Rodrigues, D., & Romão, Â. (2025). A Amizade em Portugal: Como é? O que mudou? Relatório 2: Relatório final. CIS-Iscte. http://hdl.handle.net/10071/36940
Shepherd, H. (2024). Organizational practices and workplace relationships in precarious work: New survey evidence. Social Networks, 77, 79–92. https://doi.org/10.1016/j.socnet.2021.10.003
Hall, J. A. (2019). How many hours does it take to make a friend? Journal of Social and Personal Relationships, 36(4), 1278–1296. https://doi.org/10.1177/0265407518761225
Boothby, E. J., Cooney, G., Sandstrom, G. M., & Clark, M. S. (2018). The liking gap in conversations: Do people like us more than we think? Psychological Science, 29(11), 1742–1756. https://doi.org/10.1177/0956797618783714
Hall, J. A., Larson, K. A., & Watts, A. (2011). Satisfying friendship maintenance expectations: The role of friendship standards and biological sex. Human Communication Research, 37(4), 529–552. https://doi.org/10.1111/j.1468-2958.2011.01411.x
Youngvorst, L. J., & Ruppel, E. K. (2025). Social support among emerging adult friends: Dyadic and longitudinal associations between support gaps and relational quality. Journal of Social and Personal Relationships, 42(7), 1629–1656. https://doi.org/10.1177/02654075251330360
Il y a les personnes avec qui nous discutons au travail, celles que nous croisons à la salle de sport et celles avec qui nous échangeons des messages. Mais lorsque nous avons envie de prévoir une sortie ou besoin de parler d'une journée difficile, nous ne savons pas toujours vers qui nous tourner. Nous pouvons connaître beaucoup de monde et manquer d'amis.
À l'école, une partie des moments partagés se passait sans qu'il soit nécessaire de les organiser. Nous retrouvions les mêmes personnes presque tous les jours, en classe, pendant les pauses et les travaux de groupe. À l'âge adulte, se voir demande généralement davantage d'organisation. Entre le travail, les responsabilités familiales et la fatigue, une conversation agréable peut en rester là.
Cela ne signifie pas que nous avons perdu la capacité de nous faire des amis. Souvent, ce sont surtout les conditions dans lesquelles une amitié peut naître et grandir qui ont changé.
Pourquoi semble-t-il plus difficile de se faire des amis à l'âge adulte ?
Nos relations évoluent tout au long de la vie. Une synthèse de 277 études a constaté, en moyenne, une diminution des réseaux amicaux au cours de l'âge adulte et des changements associés à des événements comme l'entrée dans la vie professionnelle ou le fait de devenir parent. Un réseau plus petit ne signifie pourtant pas que nous avons perdu la capacité de nouer de nouvelles amitiés, et tout le monde ne suit pas le même parcours.[1]
Changer de ville peut nous éloigner des personnes que nous retrouvions facilement. Un nouvel emploi apporte des contacts, mais pas toujours le temps de mieux connaître ses collègues. Avoir des enfants peut nous rapprocher d'autres parents tout en réduisant le temps disponible pour les amis d'avant. Certaines relations durent ; d'autres s'estompent ou commencent à prendre une place dans notre vie.
Au Portugal, un rapport de l'Iscte publié en 2025, à partir de données recueillies en 2024, indique que 40 % des mille participants déclaraient s'être fait un nouvel ami au cours de l'année précédente. L'enquête a été menée en ligne auprès de personnes de 18 à 64 ans, en cherchant à refléter les caractéristiques de la population de cette tranche d'âge ayant accès à internet. Le rapport n'a pas été évalué par les pairs et les résultats ne couvrent pas tous les âges ni toutes les situations. Ils montrent néanmoins que de nouvelles amitiés se nouent à l'âge adulte.[2]
Tout ne dépend pas de la volonté. L'argent, les transports, les horaires et les responsabilités d'aide aux proches conditionnent les occasions de voir d'autres personnes. Une étude auprès de salariés du commerce aux États-Unis a associé l'imprévisibilité des horaires à un nombre plus faible de relations au travail. Conseiller simplement de « sortir davantage » laisse de côté une part importante du problème.[3]
Rencontrer des gens n'est pas la même chose que construire une amitié
Une activité peut faciliter un premier contact. Elle ne garantit pas qu'une personne deviendra une amie. Il est possible de suivre un cours pendant des mois, de discuter cordialement et de ne se sentir proche de personne.
Les recherches de Jeffrey Hall, menées auprès d'adultes ayant déménagé et d'étudiants au début de leurs études universitaires, ont associé le temps passé ensemble, surtout dans des activités de loisir, à une plus grande proximité amicale. Les estimations d'heures issues de ces études ne sont pas un délai à respecter. Passer du temps avec quelqu'un peut favoriser une amitié, mais nous cherchons aussi à voir davantage les personnes dont nous nous sentons déjà proches.[4]
Les rencontres gagnent en continuité lorsque nous reprenons une conversation, nous souvenons de quelque chose que l'autre a raconté ou proposons de nous revoir. Peu à peu, une place peut se créer pour parler d'autre chose que ce qui nous a réunis.
Cela n'oblige ni à faire des confidences ni à sortir chaque relation de son contexte. Un ami du travail peut rester avant tout un ami du travail. Certaines amitiés se nourrissent de conversations légères, d'une activité partagée ou du plaisir d'être ensemble. Elles n'ont pas besoin de devenir intimes pour avoir de la valeur.
L'incertitude des premières rencontres
Lorsque nous rencontrons quelqu'un qui nous plaît, nous ne savons pas toujours si l'intérêt est réciproque. Nous pouvons craindre de paraître insistants, interpréter un silence comme du désintérêt ou repasser la conversation dans notre tête.
Dans une série d'études auprès de personnes qui faisaient connaissance, les participants avaient tendance, en moyenne, à sous-estimer à quel point leurs interlocuteurs les avaient appréciés et avaient aimé leur compagnie. Cela ne garantit pas que l'autre souhaite une amitié. Mais cela suggère que nous pouvons garder d'une conversation une impression plus négative que la sienne.[5]
Une invitation simple permet d'en savoir davantage que de continuer à deviner : « J'ai apprécié notre conversation. On prend un café un de ces jours ? » Il n'est pas nécessaire de savoir ce que la relation deviendra pour proposer une autre rencontre.
L'autre peut ne pas être disponible ou ne pas en avoir envie. Toutes les affinités ne se développent pas, et un refus ne constitue pas un jugement sur notre valeur ni sur ce que d'autres relations pourront devenir.
Qu'est-ce qui peut aider, concrètement ?
Choisir des lieux ou des activités où il est possible de revenir. Une activité régulière, un groupe local ou un lieu qui fait déjà partie du quotidien peut faciliter de nouvelles rencontres avec les mêmes personnes. Le meilleur contexte n'est pas nécessairement le plus intéressant sur le papier, mais celui auquel il est réellement possible de participer.
Donner suite à une conversation. Il n'est pas toujours nécessaire de rencontrer davantage de personnes. Parfois, il vaut la peine de reprendre contact avec quelqu'un avec qui une affinité s'est déjà dessinée : demander comment s'est passé un événement évoqué ensemble ou envoyer un message sur un intérêt commun.
Faire des propositions simples et précises. Un café après une activité, une courte promenade ou un déjeuner près du travail peuvent être plus faciles à organiser qu'un projet exigeant. « Il faudrait qu'on se voie » peut rester une intention ; proposer une occasion lui donne une chance de se concrétiser.
Trouver des façons de se voir compatibles avec la vie actuelle. Tout le monde ne peut pas réserver une soirée par semaine ou payer une nouvelle activité. Un moment partagé peut trouver sa place pendant une pause, une promenade habituelle ou une conversation à distance. Ce qui est possible n'est pas forcément une version inférieure d'une vie sociale idéale.
Ce sont des pistes éclairées par la recherche, pas un programme dont l'efficacité pour se faire des amis a été testée. Elles aident à chercher des occasions, mais une relation implique aussi les préférences et les circonstances d'une autre personne.
Et si c'est toujours moi qui prends l'initiative ?
Proposer plus souvent de se voir ne signifie pas nécessairement tenir davantage à la relation. Certaines personnes organisent facilement ; d'autres participent avec intérêt, mais prennent rarement l'initiative. Sentir que tous les efforts viennent du même côté peut néanmoins être fatigant.
La satisfaction dans une amitié est aussi liée à ce que chacun en attend. Une étude utilisant des relevés quotidiens d'interactions a trouvé des associations entre les attentes, leur satisfaction et la satisfaction amicale. Une autre, auprès de 212 paires d'amis jeunes adultes, a associé les écarts entre le soutien souhaité et reçu à la qualité de la relation, de façons différentes selon le type de soutien. Ces études portent sur des amitiés existantes ; elles ne mesurent pas qui tient le plus à l'autre. Elles ne montrent pas non plus que la solution consiste à attendre moins de ses amis.[6][7]
Il peut être plus utile de regarder l'ensemble de la relation que de compter les messages : lorsque vous êtes ensemble, l'autre est-il attentif ? Manifeste-t-il de l'intérêt ? Lorsqu'il ne peut pas accepter une invitation, cherche-t-il une autre occasion ? Les besoins de chacun ont-ils leur place ?
Dans une amitié établie, dire « Nos moments ensemble me manquent » peut éclaircir davantage les choses que d'attendre que l'autre devine. Comprendre son manque de disponibilité n'oblige pourtant pas à se résigner à une relation dans laquelle on se sent systématiquement seul. Il est aussi légitime d'investir dans d'autres contacts, sans transformer chaque éloignement en accusation.
Il n'est pas nécessaire d'avoir un grand groupe
Nous pouvons manquer de compagnie pour des activités, de quelqu'un à qui nous confier ou d'un groupe auquel appartenir. Ce sont des besoins différents. Comprendre lequel pèse le plus aide à chercher quelque chose de plus précis que simplement « avoir plus d'amis ».
Il n'existe pas non plus un seul bon rythme. Certaines personnes se sentent bien avec des contacts espacés ; d'autres ont besoin d'une présence plus régulière. Aimer être seul n'empêche pas de désirer de la compagnie. Et la solitude ne se résume pas au nombre de personnes autour de nous : dans le rapport portugais, davantage de participants évoquaient un sentiment de solitude fréquent que l'absence d'amis.[2]
Lorsque la peur du rejet, la tristesse ou l'isolement rendent durablement difficile le fait d'aller vers les autres, un accompagnement psychologique peut aider à comprendre ce qui se passe et à trouver des façons de faire face à ces difficultés. Il ne remplace pas les moments partagés, mais peut contribuer à les rendre plus accessibles.
Se faire des amis à l'âge adulte peut demander une initiative dont les circonstances se chargeaient auparavant. Toutes les invitations ne seront pas acceptées, toutes les relations ne s'approfondiront pas. Il n'est pourtant pas nécessaire de trouver immédiatement un grand groupe ou une amitié intime. Parfois, le début consiste à reparler avec quelqu'un dont nous apprécions la compagnie.
Références
Wrzus, C., Hänel, M., Wagner, J., & Neyer, F. J. (2013). Social network changes and life events across the life span: A meta-analysis. Psychological Bulletin, 139(1), 53–80. https://doi.org/10.1037/a0028601
Lima, M. L., Camilo, C., Rodrigues, D., & Romão, Â. (2025). A Amizade em Portugal: Como é? O que mudou? Relatório 2: Relatório final. CIS-Iscte. http://hdl.handle.net/10071/36940
Shepherd, H. (2024). Organizational practices and workplace relationships in precarious work: New survey evidence. Social Networks, 77, 79–92. https://doi.org/10.1016/j.socnet.2021.10.003
Hall, J. A. (2019). How many hours does it take to make a friend? Journal of Social and Personal Relationships, 36(4), 1278–1296. https://doi.org/10.1177/0265407518761225
Boothby, E. J., Cooney, G., Sandstrom, G. M., & Clark, M. S. (2018). The liking gap in conversations: Do people like us more than we think? Psychological Science, 29(11), 1742–1756. https://doi.org/10.1177/0956797618783714
Hall, J. A., Larson, K. A., & Watts, A. (2011). Satisfying friendship maintenance expectations: The role of friendship standards and biological sex. Human Communication Research, 37(4), 529–552. https://doi.org/10.1111/j.1468-2958.2011.01411.x
Youngvorst, L. J., & Ruppel, E. K. (2025). Social support among emerging adult friends: Dyadic and longitudinal associations between support gaps and relational quality. Journal of Social and Personal Relationships, 42(7), 1629–1656. https://doi.org/10.1177/02654075251330360